sábado, 9 de julho de 2011

# Outros autores

Não ha vagas (Ferreira Gullar)



O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
   está fechado:
   "não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

            O poema, senhores,
            não fede
            nem cheira

Ferreira Gullar

Um comentário:

  1. O poema não fede e não cheira mas passa um perfeito recado!!!! rssss

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A fase mais gostosa de quem escreve é quando conhece a opinião de quem lê....Obrigada por suas palavras e sejas sempre bem vindo(a)....

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