/
1 Comentários


O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
   está fechado:
   "não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

            O poema, senhores,
            não fede
            nem cheira

Ferreira Gullar



Leia também

O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do ...

Um comentário:

  1. O poema não fede e não cheira mas passa um perfeito recado!!!! rssss

    ResponderExcluir

A fase mais gostosa de quem escreve é quando conhece a opinião de quem lê....Obrigada por suas palavras e sejas sempre bem vindo(a)....

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.